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Manifestações contra o CFM

Venho, por meio deste email, deixar a minha indignação e repúdio sobre o posicionamento do CFM quanto à questão de subjugar o valor do embrião à autonomia materna. Gostaria que o CFM fizesse publicar que nem todos os médicos têm a mesma opinião que a cúpula presidencial dessa Instituição; que, a meu ver, o assunto necessita debate bioético e que a Bioética é justamente o questionamento ético da conduta biológica e não a imposição de ideias e pontos de vistas reducionistas daqueles que detêm o poder de resolução.

Que fique registrado que sou a médica de nº 400.000 menos 1 dessa classe e que essa Entidade de classe não pode me representar do ponto de vista ético. Que essa Entidade se atenha à questões éticas mais importantes na atualidade, como a questão da humanização da classe, da luta por melhores condições de trabalho, por maior seriedade e responsabilidade médicas, etc.,e a até mesmo sobre as consequências da falta de debate sobre assuntos dilemáticos, como a questão da eutanásia, e as repercussões gravíssimas que a irresponsabilidade da divulgação distorcida do que é ético na medicina, avalizadas por um movimento bioético bizarro, podem ocasionar (vide o que tem acontecido nas UTIs de todo o país), ao invés de ficar resolvendo questões que conceitualmente, do ponto de vista filosófico, são e serão sempre dilemáticas.

Dra. Angélica Bogatzky Ribeiro CRM – SP: 80995
Mestre em Bioética pelo Centro Universitário são Camilo


Li com indignação a posição do CFM tomada em reunião em Belém – PA, favorável ao aborto do feto com menos de 12 semanas, para qualquer situação desde que a mulher assim o deseje. No site do CFM o presidente do CFM defende a posição informando que “o CFM não é favorável ao aborto, mas sim à autonomia da mulher”. Pergunto: qual a diferença? Esquece o CFM que o feto tem vida e é um ser humano resguardado por Lei? É papel do CFM defender a vida, principalmente daqueles que não tem como se defender de tentativas de morte.

Se o CFM defende a morte do feto, qual instituição médica irá defendê-lo? Tem O CFM respaldo da classe médica para tomar essa decisão? Foi realizada uma pesquisa com os médicos brasileiros sobre esse assunto? Por que defender uma minoria, as mulheres que pensam ter direito sobre a vida do feto? Qual a posição do povo brasileiro sobre o assunto? Eu, como ex-conselheiro e ex-vice- Presidente do CRM-ES deixo clara a minha posição de total repúdio a essa decisão, que fere os ditames da ética médica, pois uns dos pilares do ato médico é de lutar pela vida. O embrião, em qualquer fase de sua formação deve ter o seu direito à vida, preservado e cabe ao médico oferecer todas as condições para que isso ocorra. Infelizmente alguns poucos tomam decisões que denigrem a imagem do nosso egrégio Conselho, sem consultar a maioria.

José Roberto Pereira Santos CRM – ES 2393


Lamentável a decisão do CFM a favor da legalização do aborto. Viola princípios magnos de Defesa da Vida e desqualifica a Medicina brasileira. Defender o aborto como direito da mãe é desconhecer que o embrião tem autonomia desde a fecundação, que a vida pertence ao embrião e não à mãe. Qual o próximo passo? Defender a eutanásia e o suicídio assistido? Cria-se a carnificina brasileira com respaldo do CFM, onde vidas se sujeitam à vontade de terceiros. Lamentável. O pagamento da anuidade, que me era prazeroso, hoje sai dolorosamente de meu bolso por ser obrigado a contribuir para um Conselho que agora se submete não à defesa da vida, mas ao agravo e ao desrespeito a quem não pode se defender, o embrião.

Dr. Jorge Cecílio Daher Júnior
CRM – GO: 6108


 

Solicitação: Distintos conselheiros do CFM: manifesto meu repúdio à resolução do Conselho Federal de Medicina que, sem consultar a classe médica e sem base científica, decidiu apoiar os esforços de modficação do código penal, manifestando a aprovação do aborto até as 12 semanas de gestação, com o argumento de preservar a autonomia da mulher. Como sabemos, o feto não é um adendo do corpo feminino, mas um ser individual, digno e pleno de direitos desde a concepção, com material genético particular, que preside-lhe o desenvolvimento de forma independente. O feto apenas se nutre da mãe, desenvolvendo-se na interação com o corpo materno, que nele atua com sua fisiologia e psiquismo. Nada justifica o desrespeito à vida, bem indisponível ao homem, que não a cria, apenas a acolhe, devendo protegê-la e sustentá-la em sua dignidade fundamental, base da paz e da harmonia pessoal e social. Com esta resolução, o CFM NÃO ME REPRESENTA!
Justificativa: Espero, sinceramente, que o CFM tenha o bom senso de consultar a classe médica a respeito de tão magno tema e revisar os dados científicos a respeito do assunto, sem compromisso político com grupos feministas ou pró-aborto, mas com a autonomia necessária e compromisso com a ética médica e com a vida, como preceitua o estatuto desta instituição.

Dr. Andrei Moreira Machado e Souza
CRM: MG – 42292


Srs. Conselheiros,

Foi com espanto e indignação que tomei conhecimento através da mídia e da internet sobre a posição do CFM e de 27 conselheiros regionais a respeito da descriminalização do aborto. O disfarce de ” autonomia da mulher” não convence a classe médica em geral comprometida com a vida e não com assassinato de incapaz. Pergunto: Qual trabalho científico garante que não há vida antes de 12 semanas de gestação? Onde estão os direitos do feto? Podem os conselheiros tomar esse tipo de posição sem consultar os médicos?

Deixo aqui bem clara a minha posição contra essa atitude arbitrária do CFM e tenho certeza de que não estou sozinha nesta opinião.

Dra.Anelise Luderer Dias


 

Venho apresentar o meu repúdio ao posicionamento da Direção des te egrégio conselho, que resolveu assumir uma decisão de um tema tão grave, sem nenhuma consulta a classe médica, inclusive com colocações e defesas que não podem se quer ser comprovadas cientificamente, no momento, como a colocação de que o feto antes das 12 semanas não é individualidade e capaz de sentir as ações que lhe são direcionadas. O ovo é uma pessoa em potencialidade e isto precisa ser respeitado. Brigamos no mundo atual e criminalizamos a destruição de ovos, como os das tartarugas e queremos leis que dispensem ovos humanos, como se nada representassem. Acompanhei as informações do encontro onde teria acontecido a tal votação e nada vi que afirme sobre a mesma.
Sinto-me, hoje, envergonhado de estar sendo representado por um grupo que defende suas ideias e não busca a opinião dos profissionais que representam e deixam de lado o respeito maior da profissão, que é o da vida.

Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza
CRM: MG – 14987


 

Reitero minha indignação ao posicionamento do CFM de defender a legalização do aborto eugênico (“quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente”) e do aborto até as 12 semanas de gestação caso a mãe deseje. Uma tomada de posição como esta, que vai frontalmente contra a tradição médica brasileira de defesa da vida e de busca de oferecimento de cuidados a todos aqueles em sofrimento, só poderia ser considerada após um amplo debate com a comunidade médica do Brasil e se chegar a um consenso.

Assim, me causa estranheza: – Ao contrário do anunciado na nota, o tema não foi amplamente debatido entre os médicos. Em nenhum momento vi publicações ou fui notificado que o CFM cogitava apresentar um posicionamento neste sentido. – Fiz pesquisa com o tema aborto no site do CFM e não encontrei nenhum texto que indicasse que o CFM discutia um posicionamento formal sobre o tema. Inclusive, na notícia que anunciava o “I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina”, onde foi feita a votação, foi apenas informado que haveria uma a mesa redonda “Aborto e desigualdade social”.

http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23610:belem-sedia-debates-polemicos-no-i-encontro-nacional-dos-conselhos-de-medicina-2013&catid=3:portal

Na programação do evento acima, divulgada no site do CFM, igualmente, não consta que seria feita esta votação: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23523:i-encm-2013-para-sediara-debates-em-marco&catid=3:portal – a nota publicada pelo CFM é muito pouco informativa sobre o processo de tomada desta posição.

http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23661:conselhos-de-medicina-se-posicionam-a-favor-da-autonomia-da-mulher-em-caso-de-interrupcao-da-gestacao&catid=3

Quase não há informações no site do CFM sobre algo tão importante. Seria essencial informar como foi feito o debate, disponibilizar as atas e vídeos das reuniões, principalmente desta votação realizada em Belém. Essencial saber também como votou cada CRM. A única informação que obtive foi através do site Estadão, onde fiquei sabendo, para minha felicidade, que o CRM-MG votou contra: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,apoio-do-cfm-ao-aborto-ja-enfrenta-protestos-antes-de-chegar-ao-senado-,1011804,0.htm

A nota publicada pelo CFM apresenta graves contradições internas. Diz que aborto deve ser crime, mas defende sua legalidade. Usa uma série de eufemismos para mascarar a decisão que tomaram de modo arbitrário em nome de 400 mil, médicos. Dizem não haver “descriminalização do aborto”, mas criação de “causas excludentes de ilicitude”. Acho que subestimam a inteligência dos médicos. Como está, fica a impressão que foi uma manobra política de uma minoria desejando usurpar o prestígio do CFM e dos médicos para suas agendas pessoais ou de certos grupos.

Eu, como provavelmente a maior parte dos médicos do Brasil, sinto-me desrespeitado, não representado e violentado por esta tomada de posição do CFM.

Dr. Alexander Moreira Almeida
Professor universitário da Universidade Federal de Luiz de Fora (UFJF) – CRM- MG 44239


Não se trata de uma questão religiosa. Enquanto médicos, entendemos que nossa obrigação primeira é com a vida.

Dr. João Batista Gomes Soares
CRM MG 6236
Presidente do CRM Minas Gerais


Ao CFM e CRM
É com profunda surpresa, que vejo nossas entidades maiores (Conselho Federal de Medicina e Conselho Regional de Medicina) decidirem no I Encontro Nacional de Conselhos de Medicina 2013, realizado de 6 a 8 de março, em Belém (PA), serem favoráveis ao aborto até a 12ª. semana de gestação.
Uma decisão de tal magnitude jamais poderia ser tomada sem um amplo debate envolvendo toda a classe médica desse país. Infelizmente isto não aconteceu.
Tal parecer dá a entender que os médicos brasileiros são a favor desta barbaridade. Ledo engano. Tenho certeza que a grande maioria dos profissionais desse país, se consultados, algo que não aconteceu, se posicionaria absolutamente contrário a essa decisão.
Será que os senhores já assistiram a algum vídeo mostrando a criança no útero da mãe, na 12ª. semana de gestação? Com certeza, não. Aconselho a assistirem. Pode ser que o bom senso prevaleça e os senhores modifiquem o que decidiram.
Quando as autoridades supremas desse país decidiram pela legalidade da interrupção da gravidez na anencefalia, sabíamos que tal medida abriria um precedente perigoso para que o aborto se estendesse a outros segmentos. Achei que começaríamos a eliminar os fetos portadores de grandes mal-formações, depois pequenas mal-formações, até chegarmos aos fetos que não preencheriam as expectativas dos pais, como por exemplo, cor dos olhos, cabelos, etc…, em um modelo que muito lembraria o ideal ariano hitlerista.
Mas penso que os senhores se superaram.
Autorizar a mãe retirar do seu ventre um ser vivo normal, e o que é pior, seu filho, é autorizar um assassinato premeditado, com consequências psicológicas desastrosas para ela, como já foi comprovado por inúmeros artigos indexados realizados em todo o mundo.
Será que os senhores esqueceram que fizemos um juramento de lutar pela vida em todas as situações?
Com certeza, ao decidirem pelo aborto, sim.
A vida, estimados colegas, inicia-se quando o espermatozóide fecunda o óvulo, ainda na Trompa de Falópio, e não tem nada a ver com a formação do sistema nervoso.
Nesse momento, remeto os senhores à reflexão que tal medida será reconsiderada e não teremos que mobilizar toda a classe médica desse país, para reverter tal decisão, que se preciso, estamos dispostos a fazê-lo.
Após 36 anos de profissão, pela primeira vez em minha vida, me senti envergonhado de ser médico.
Tenho certeza, que se raciocinarem um pouco melhor também se sentirão assim.

Atenciosamente,

DR. Ricardo Azevedo Sallum
Cremesp 28662

 


Li indignada a posição do CFM tomada em reunião em Belém – PA, favorável ao aborto do feto com menos de 12 semanas, para qualquer situação desde que a mulher assim o deseje. No site do CFM o presidente do CFM defende a posição informando que “o CFM não é favorável ao aborto, mas sim à autonomia da mulher”. Pergunto: qual a diferença? O CFM esqueceu que o feto tem vida e é um ser humano resguardado por Lei? O papel do CFM é também defender a vida, principalmente daqueles que não tem como se defender de tentativas de morte. O CFM está respaldado pela classe médica para tomar essa decisão? Foi realizada uma pesquisa com os médicos brasileiros sobre esse assunto? Qual a posição do povo brasileiro sobre o assunto?. Gostaria de deixar clara a minha posição de total repúdio a essa decisão, que fere os ditames da ética médica, pois um dos pilares do ato médico é de lutar pela vida. O embrião, em qualquer fase de sua formação deve ter o seu direito à vida, preservado e cabe ao médico oferecer todas as condições para que isso ocorra.

Ana Catarina Tavares Loureiro
CRM ES 4470


MANIFESTO AME-GOIÂNIA CONTRA A DISCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO (Dra. Ana Paula Vecchi)

Nesta semana o noticiário comum divulgou que o Conselho Federal de Medicina (CFM) enviará ao Senado um parecer em que defende a liberação do aborto até a 12ª semana de gravidez. Segundo consta, o parecer foi aprovado pela maioria dos conselheiros federais e regionais de medicina, este órgão que representa 400 mil médicos brasileiros. Bem, mas eu pergunto: representa a opinião da maioria dos médicos brasileiros? Da maioria de nós que juramos “nunca causar dano ou mal a alguém”1 e não administrar “nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda”1? E literalmente juramos não dar “a nenhuma mulher uma substância abortiva”1? Certamente que não fomos consultados, apenas representados.

Os motivos alegados foram o alto índice de mortalidade e de internações de mulheres que fazem abortos clandestinos. De acordo com o conselho “o abortamento é uma importante causa de mortalidade materna no país, sendo evitável em 92% dos casos”2 e as complicações causadas pelo procedimento representam “a terceira causa de ocupação dos leitos obstétricos no Brasil”2.

Vejamos o que consta nos Princípios e Diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher 2013.

Segundo Laurenti (2002), em pesquisa realizada nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, analisando óbitos em mulheres de 10 a 49 anos (ou seja, mulheres em idade fértil), as dez primeiras causas de morte encontradas foram as seguintes, em ordem decrescente: acidente vascular cerebral, aids, homicídios, câncer de mama, acidente de transporte, neoplasia de órgãos digestivos, doença hipertensiva, doença isquêmica do coração, diabetes e câncer de colo do útero.

A mortalidade associada ao ciclo gravídico-puerperal e ao aborto não aparece entre as dez primeiras causas de óbito nessa faixa etária. No entanto, a gravidade do problema é evidenciada quando se chama atenção para o fato de que a gravidez é um evento relacionado à vivência da sexualidade, portanto não é doença, e que, em 92% dos casos, as mortes maternas são evitáveis. (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher : Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde. 2011. Pag 26).

Nas capitais brasileiras, para o ano de 2001, a Razões de Mortalidade Materna corrigida foi de 74,5 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. As principais causas da mortalidade materna são a hipertensão arterial, as hemorragias, a infecção puerperal e o aborto, todas evitáveis (BRASIL, 2003). ((Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher : Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde. 2011. Pag 27).

Deste dado já percebemos que o problema é muito mais amplo, pois nossas mulheres estão morrendo muito mais por uma assistência precária ao pré-natal e ao parto que às consequências das praticas abortivas clandestinas.

Segundo a última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) (BENFAM, 1996) aproximadamente 13% das mulheres que tiveram filhos nos cinco anos que antecederam a pesquisa não haviam realizado nenhuma consulta de pré-natal. E em 2002 essa razão era de 4,4 consultas de pré-natal para cada parto3 (Tabnet SIA-Datasus e TabwinAIH-Datasus, 2003).

Apesar do aumento do número de consultas de pré-natal, a qualidade dessa assistência é precária, o que pode ser atestado pela alta incidência de sífilis congênita, estimada em 12 casos/1.000 nascidos vivos, no SUS (PN-DST/AIDS, 2002), pelo fato da hipertensão arterial ser a causa mais freqüente de morte materna no Brasil, e também porque apenas 41,01% das gestantes inscritas no Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN) receberam a 2.a dose ou a dose de reforço ou a dose imunizante da vacina antitetânica, segundo o sistema de informação do Programa (BRASIL, 2002). (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher : Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde. 2011. Pag 28).

Se o pré-natal ainda é precário o atendimento a parturiente também encontra dificuldades.

Nesta mesma diretriz 3 encontramos que “o aborto realizado em condições inseguras figura entre as principais causas de morte materna”, entretanto mais adiante os autores afirmam que “O atendimento às mulheres em processo de abortamento, no SUS, apresenta uma tendência de estabilização na última década, consequência possível do aumento de mulheres usando métodos anticoncepcionais e da elevada prevalência de laqueadura tubária”.

Segundo dados do SUS 43% das mulheres interrompem o método contraceptivo após 12 meses do seu uso. É o próprio Ministério da Saúde que aponta a falta de cobertura e orientação quanto aos métodos contraceptivos.

Apesar de estar definido na NOAS-SUS 2001 que as ações do planejamento familiar fazem parte da atenção básica e que estão entre as responsabilidades mínimas da gestão municipal em relação à saúde da mulher, muitos municípios não têm conseguido implantar e implementar estratégias adequadas de fornecimento de anticoncepcionais para a população, de introdução do enfoque educativo e aconselhamento visando à escolha livre e informada, assim como garantir o acompanhamento das usuárias.

Identificam-se ainda problemas na produção, controle de qualidade, aquisição e logística de distribuição dos insumos, manutenção da continuidade da oferta de métodos anticoncepcionais e capacitação de gestores, de gerentes e de profissionais de saúde. Isso tem resultado numa atenção precária e excludente, ou até inexistente em algumas localidades, com maior prejuízo para as mulheres oriundas das camadas mais pobres e das áreas rurais. (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde. 2011. Pag 33).

Então nós vamos entendendo a dificuldade em que vive o SUS no atendimento à mulher na gestação, parto e prevenção da gravidez. Os médicos que trabalham com saúde da mulher conhecem bem essa realidade! Faltam leitos para os partos de alta complexidade. E eu fico a pensar: se o aborto for realmente legalizado será um problema de ordem pública! Onde conseguiremos leitos para essas mulheres, se as maternidades estão lotadas? A outra pergunta que faço é de onde o SUS conseguirá verba para sustentar tantos abortos? Sim porque a estimativa do governo em 2005 é de 1 milhão de abortos clandestinos por ano!

Não encontramos dados do Governo Federal quanto ao seu gasto com contraceptivos, apenas uma referência no Datafolha 2007, estimando-o em 350 reais por mulher. Compare ao gasto de 350 a 450 dólares4 gastos pelo governo americano com cada aborto, é bem mais que o dobro! É consenso que os gastos com prevenção são menores do que os de recuperação.

Então essas medidas não justificam uma economia e nem mesmo em solução para as falhas no planejamento familiar e nem para diminuição da mortalidade materna. Países com uma realidade semelhante a nossa a legalização do aborto não mostrou diminuição de sua prática clandestina. Segundo KUNII, na Índia, onde o aborto é legalizado desde 1971, estima-se que dos cerca de 7 milhões de abortos anuais, somente 10% sejam realizados legalmente. Apesar da legalização, o aborto ainda é responsável por 12% das mortes maternas.

Vejamos agora uma “justificativa” utilizada por muitos: a legalização do aborto acabaria por diminuir sua prática. Parece que também não é um argumento sustentável. Analisemos as economias em que a pratica do aborto é legalizada. Nos Estados Unidos, quando o aborto foi legalizado, em 1970, praticaram-se 200.000 abortos no país6. Em 1971 este número dobrou para 400.000 e hoje cerca de 1,2 milhões de mulheres por ano abortam nos EUA. Quatro décadas depois da histórica e polêmica decisão da Suprema Corte que descriminalizou o aborto nos EUA, alguns estados aprovaram, desde 2010, cerca de 130 leis para restringir o acesso das mulheres a esse procedimento. 7 Mais da metade da população desse país, hoje, não aprovam o aborto indiscriminadamente. (Datafolha 2013).

Na França a situação não é diferente. Em 21 de dezembro de 1974, a lei “Veil” sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG – Interruption Volontaire de la Grossesse) foi adotada pelo Parlamento Francês. Seu intuito primordial era de diminuir o número de abortos, sobretudo os clandestinos, que colocavam em risco a vida de mulheres (mais de 200.000 por ano). Entretanto, trinta anos mais tarde, o número continua o mesmo: um aborto para cada três nascimentos. Na Europa, os países em que o número de abortos diminuiu foram aqueles em que a esterilização foi promovida.

Há um outro ponto, ainda, a discutir: as razões políticas internacionais que visam um controle da natalidade em países subdesenvolvidos.

Em torno de 1960, os países ricos, especialmente os Estados Unidos, que já tinham os países pobres sob sua dependência, passaram a pressionar governos do Terceiro Mundo para adotar uma política de população, inspirados nas idéias de Malthus9. Consideravam haver nos países ricos uma estabilidade no crescimento populacional e nos pobres uma explosão populacional, atribuindo a ela a responsabilidade pela fome, pela pobreza, pela degradação do meio ambiente e, sendo assim, a redução do crescimento populacional deveria ser a principal prioridade para os planos de desenvolvimento (SOF, 1994). Uma vez dependente do capital internacional, o Brasil se rendeu às entidades americanas consideradas de planejamento familiar, apesar da resistência de militares, da Igreja e do próprio governo, que justificavam a importância de uma grande população, tanto do ponto de vista estratégico como econômico10. Em 1965, no contexto de uma grave crise econômica e política, foi criada a BEMFAM (Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar no Brasil). Financiada por entidades internacionais e de interesses nitidamente controlistas facilitou o acesso das mulheres aos métodos contraceptivos, principalmente à pílula, através da distribuição gratuita, sem garantia de acompanhamento médico (RODRIGUES, 1990).Ela deslanchou em 1974, quando, a partir de um memorando secreto do secretário de Estado Henry Kissinger, o governo americano passou a despejar dólares e pressão diplomática em campanhas de esterilização no Brasil. Homologado quase integralmente pelo presidente Gerald Ford, em 1975, o Relatório Kissinger defende o aborto como método anticoncepcional e aponta o trabalho das mulheres fora de casa como um incentivo a “ter menos filhos”. Elege os países nos quais os EUA “têm interesses políticos e estratégicos”, o Brasil entre eles.

Entendemos, então que a prática abortiva não soluciona o problema da saúde da mulher e ainda levanta o problema da natalidade e da influência dominadora, muitas vezes sutil, da cultura estrangeira.

Voltando à proposta dos Conselheiros do CFM, esses nossos representantes propõem a descriminalização do aborto em três novas situações:

1. gravidez por emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;

2. anencefalia ou feto com graves e incuráveis anomalias, atestado por dois médicos;

3. por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas para a maternidade.

Consideramos a primeira situação um tanto quanto esdrúxula: uma mulher ao ser fertilizada artificialmente sem o seu consentimento cabe processo penal ao médico ou quem quer que tenha praticado! É caso de polícia! Será mesmo que essa situação é frequente? De fato não existem estatísticas para tal.

A segunda situação é grave porque não bastasse a liberação do aborto do anencéfalo no ano passado, agora estamos propondo o aborto de um feto por ele “não ser normal” ou por ser um “doente incurável”! Será mesmo que um recém nascido sadio é sinônimo de vida sem doença? Dentro desta filosofia deveríamos eliminar todo adulto com doença incurável, eu diria que sobrariam poucos ou nenhum, pois quem está livre da hipertensão, do diabetes, das doenças autoimunes, das neoplasias, das infecções crônicas?

Se o feto tem um defeito genético ou não, não justifica sua eliminação! Porque terá pouco tempo de vida, também não. Ora se um recém- nascido saudável adquirir uma infecção hospitalar grave, também poderá morrer em poucas horas. Uma mãe com uma gravidez de um feto normal poderá entrar em trabalho de parto prematuro e o feto falecer por imaturidade pulmonar (doença das membranas hialinas) em poucos dias. Um feto saudável não é garantia de sobrevida longa! Quem pode decidir quem vive, quem morre? Só quem nunca trabalhou com familiares de crianças com problemas congênitos pode dizer que é melhor para os pais o aborto, “evita sofrimento!”. Esses profissionais não sabem como os pais vibram e comemoram cada conquista de seus pequenos, mesmo que essas sejam apenas um bocejar. Estar com essas crianças mesmo que por poucas horas após o nascimento permite a eles encerrar um ciclo, vivenciar um luto! Em suas consciências fizeram tudo o que podiam, “aproveitaram o máximo a vida de seu filho”! Já o aborto seria uma interrupção deste processo. Uma lacuna muitas vezes preenchida com o vazio. Nós profissionais da saúde deveríamos nos lembrar de todos esses aspectos emocionais, espirituais e religiosos dessas famílias antes de nos atermos somente no fatalismo técnico. Antes de indicar o aborto de um anencéfalo lembrar que a vida em geração é muito mais do que simples órgãos! Eliminar um anencéfalo ou um feto com anomalias graves é relembrar os absurdos realizados pelo nazismo!

A terceira situação representa a legalização indiscriminada do aborto, pois não existe a necessidade de um atestado de condições psicológicas para a gestante. Ou seja, é a aprovação simples e clara do aborto. E me desculpem, conselheiros, não representa a vontade pura e exclusiva da mulher, posto todas argumentações já colocadas anteriormente. Uma mulher de baixa escolaridade, com pouco apoio no seu pre-natal, com orientação precária dos métodos contraceptivos, com jornadas de trabalhos extra (pois ainda é a responsável pelo serviço doméstico), com seu emprego ameaçado pela maternidade, num pais em que a família muitas vezes é sustentada por ela, sem a garantia de apoio do pai de sua criança… essa mulher é induzida a decidir!

A valorização da mulher e dos seus direitos não deverá ser exercida assim: eliminando o problema, como a eliminar a mama para se evitar o câncer, mas buscando soluções verdadeiras e profundas. É preciso melhorar antes a prevenção para que a saúde da mulher e de seus filhos sejam preservadas!

BIBLIOGRAFIA:

1. Juramento de Hipócrates. Disponível em: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Historia&esc=3

2. Cíntia Acayaba. Conselho de Medicina defende liberação do aborto até 12ª semana. 21/03/2013. Disponível em: http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/03/medicos-defendem-liberacao-do-aborto-ate-12-semana-de-gestacao.html

3. Brasil . Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher : Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 1. ed., 2. reimpr. Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2011.

4. Hugo Hideo Kunii. Por que não legalizar o aborto? Disponível em: http://www.pr.gonet.biz/index-read.php?num=827

5. João Carlos Navarro de Almeida Prado. Educação fundamental, Direito à Maternidade, Paternidade Responsável e o Direito Social ao Planejamento familiar. Disponível em :http://www.pge.ac.gov.br/site/arquivos/bibliotecavirtual/teses/IBAPtesesPDF/Educacaofundamentaldireitoamaternidade.pdf

6. Felipe Aquino. Número de abortos aumenta com a legalização. Disponível em: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=9452

7. Estados limitam aborto nos EUA 40 anos após liberação. Folha. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1218398-estados-limitam-aborto-nos-eua-40-anos-apos-liberacao.shtml. 22/01/2013-05h00

8. Celuy Roberta Hundzinski Damásio. Aborto: trinta anos de legalização. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/044/44damasio.htm).

9. COELHO, E. A. C. et al. O planejamento familiar no Brasil contexto das políticas de saúde: determinantes históricos. Rev.Esc.Enf.USP, v. 34, n. 1, p. 37-44, mar. 2000.

10. (Nilson Lage e Carlos Chernij . filhos da pobreza. Disponível em: http://www.istoe.com.br/reportagens/21681_FILHOS+DA+POBREZA)


Recebi a notícia através da mídia quanto a circular 46/2012 onde informa que “Por maioria, os Conselhos de Medicina concordaram que a Reforma do Código Penal, que ainda aguarda votação, deve afastar a ilicitude da interrupção da gestação em uma das seguintes situações: a) quando “houver risco à vida ou à saúde da gestante”; b) se “a gravidez resultar de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida”; c) se for “comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos”; e d) se “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação”.” No primeiro momento acreditei que fosse uma notícia falsa, dessas tantas circurlam na internet, dado ao absurdo da proposta. Depois acabei perplexo, como muitos colegas, ao ser confirmada a veracidade da notícia. Gostaria de trazer alguns questionamentos ao CFM e que elas fossem respondidas. Primeiramente me senti desrespeitado pelo CFM ao tomar essa medida de apoio a Reforma do Código Penal Brasileiro (PLS 236/2012) sem um debate a nível nacional envolvendo todos médicos. Principalmente frente a um assunto de tanta magnitude e complexidade. Segundo, os dados que embasam a decisão não informa as referências científicas e desconsideram os dados técnicos mais atuais, em especial os estudos realizados que demonstram que a legalização do aborto não diminuiu a mortalidade materna. Além disso a posição tomada pelo CFM atenta contra um dos mais importante papel do médico que é de defender a vida, principalmente a mais frágil, aquela que não pode se defender sozinha.

É lamentável que o CFM entre nessa tentativa se criar um fato político que favoreça a descriminalização do aborto no Brasil. Além das pesquisas demonstrarem que a maioria esmagadora da população brasileira é contra o aborto, as justificativas e argumentos em sua defesa não encontram respaldos científicos, sendo em sua maioria superficiais, utilitaristas e baseados em interesses econômicos.

As estratégias que buscam confundir a população e evitar o debate dentro dos critérios científicos são inúmeras. Uma delas foi a criação do termo “pré-embrião” em 1986 por Anne McLaren, para designar os embriões que ainda não haviam sido implantados no útero e assim tentar justificar métodos abortivos de interrupção da gravidez. Entretanto,o fato é que para a ciência médica a vida inicia com a fecundação, não existindo dúvidas quanto a isso.Em todos os livros de embriologia médica encontramos que a vida começa com a fecundação não havendo distinção em qualquer de sua fase:

“A maioria do nosso grupo não conseguiu encontrar, entre a fecundação e o nascimento, um ponto no qual fosse possível dizer: aqui não está uma vida humana”.i[1]

“Médicos, biólogos e outros cientistas concordam que a concepção marca o início da vida do ser humano – um ser que está vivo e é membro da nossa espécie. Sobre este ponto existe uma concordância esmagadora num sem-fim de artigos científicos na área de medicina e da biologia.” (97th Congress, 1st Session)ii[2]

A fase de zigoto, o embrião, feto, passando pelo nascimento até chegarmos à fase adulta fazem parte da nossa evolução ontogenética. Embora essas fases de desenvolvimento sejam divididas é sempre o mesmo indivíduo igualmente identificável biologicamente ao longo de toda a sua existência, sendo um ser único e distinto:“O tipo genético – as características herdadas de um ser humano individualizado – é estabelecido no processo da concepção e permanecerá em vigor por toda a vida daquele indivíduo” (Shettles e Rorvik)iii[3]. Portanto, em qualquer fase em que ocorrer a interrupção do processo embriológico a partir da fecundação será sempre um aborto.

Outro argumento utilizado é que o aborto é uma questão de saúde pública já que sua legalização evitaria inúmeras mortes maternas supostamente causadas pelo aborto ilegal, ao mesmo tempo em que daria a mulher o direito de escolha. A tese que o aborto clandestino é uma das grandes causas da mortalidade materna não tem respaldo científico e nem das próprias estatísticas do Ministério da Saúde, ao contrário, o aborto legalizado é que é uma das maiores causas de mortalidade materna. Embora a maior parte das mortes relacionadas com o aborto legal não sejam classificadas oficialmente como tal, ele é constatado como a quinta causa de morte materna no E.U.A. Um estudo finlandês de 1997 bem documentado, financiado pelo Governo, mostrou que as mulheres que abortam têm quatro vezes maior probabilidade de morrer no espaço de um ano do que as mulheres que dão à luz.iv[4]

Recentemente a revista científica PLOS ONE publicou um artigo intitulado “Women’s Education Level, Maternal Health Facilities, Abortion Legislation and Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to 2007”,

demonstrando que a legalização do aborto não diminuiu a mortalidade materna, contrariando o argumento invocado em favor da legalização do aborto. O estudo evidenciou que a causa da mortalidade está vinculado ao nível educacional das mulheres e dificuldades de atendimento médico. v[5]

O Journal of American Physicians and Surgeons (Revista de Médicos e Cirurgiões dos Estados Unidos) publicou um estudo realizado por Patrick Carrol intitulado “A Epidemia do Câncer de Mama” onde se demonstra que o aborto “é o principal causador do câncer de mama”.vi[6] O estudo também demonstra que o aborto antes do nascimento do primeiro filho é altamente cancerígeno.

O Dr. Joel Brind, diretor do Instituto de Prevenção do Câncer de Mama em Nova Iorque, um dos maiores especialistas na relação entre o aborto e o câncer de mama, realizou uma meta-análise de 23 estudos publicados sobre o assunto, 18 dos quais documentam uma relação entre o aborto e o câncer de mama.vii[7]

De acordo com o livro Breast Cancer (Câncer de mama), do Dr. Chris Kahlenborn, a mulher que realiza um aborto tem 2 vezes mais probabilidade de sofrer o câncer de mama.viii[8]

Karen Malec, Presidente da Coalition Abortion/Breast Cancer (Coalizão do Câncer Aborto/Mama) comentou o estudo e indicou que “já é tempo dos cientistas admitirem publicamente o que privadamente já sabem entre eles: que o aborto incrementa os riscos de contrair câncer de mama. Também é tempo para que detenham as investigações tergiversadas para proteger os estabelecimentos médicos de julgamentos maciços contra as práticas médicas”.ix[9]

Estatísticas disponíveis sugerem que cerca de 10 mulheres morrem todos os anos de gravidez ectópica relacionada ao aborto.

Portanto, o aborto, além de ser uma grande violência contra a vida da criança, é também contra a mulher. Ele é responsável por inúmeros traumas às mulheres que o praticam. Infelizmente a esmagadora maioria desconhece os

efeitos prejudiciais psicológicos e físicos do aborto, havendo poucas informações sobre o assunto e um nítido interesse em escondê-los.

Um estudo realizado nos Estados Unidos (EUA) pela Dra. Priscilla Coleman, professora de Desenvolvimento Humano e Estudos Familiares da “Bowling Green State University”, com 1.000 adolescentes com gravidez inesperada constatou que as adolescentes que procederam ao aborto manifestaram cinco vezes mais necessidade de ajuda psicológica do que as que tiveram seus filhos.x[10] Outro estudo similar publicada em Londres no “Journal of Child Psychiatry and Psychology realizado pelo psicólogo e epidemiologista David Fergusson com 1.265 mulheres, das quais 500 engravidaram pelo menos uma vez aos 25 anos, 90 delas interromperam a gravidez através do aborto. Destas, 42% sofreram depressão, tendências suicidas, abuso de drogas e álcool, demonstrando que é o aborto e não a gravidez que causam problemas mentais.xi[11]

Em outro estudo, Coleman observou uma relação entre abuso e maus tratos infantis 2,4 vezes maiores por mães que se submeteram a um aborto induzido na sua vida pregressa. As Mulheres que abortam consomem álcool e drogas para superar trauma apresentando cinco vezes mais probabilidades de consumir drogas e álcool do que uma mulher que não abortou. Logo, ao contrário do que dizem os apologistas do aborto que é melhor para a mulher dar cabo de filhos “não desejados” ainda intra-útero, do que tê-los, o aborto acarreta em maior risco de violência para com outros filhos “desejados” que essa mulher possa vir a ter alongo de sua vida. As evidências demonstram que o sofrimento para manter a gravidez ”não desejada” é muito menor ao trauma psíquico que o aborto provoca. As incompreensões e críticas da sociedade passam, assemelham-se a um barulho produzido por uma notícia que se espalha e perde-se, mas um aborto fica gravado na história e na psique da mulher para sempre. xii[12]

A situação é tão grave devido às conseqüências danosas provocadas pelo aborto à saúde mental nos países onde ele foi legalizado que o Royal College

of Psychiatrists, a associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses, após afirmar que as mulheres que abortam arriscam a ter graves problemas de saúde mental, como a depressão profunda, alertaram que a mulher deve ser comunicada para os riscos caso opte pela interrupção da gravidez. xiii[13]

Com esses dados caem por baixo os argumentos utilizados para justificar qualquer razão psicológica para a interrupção da gravidez, assim como também não existem justificativas médicas para a interrupção da gravidez normal.

O aborto provocado é um procedimento traumático com repercussões gravíssimas para a saúde mental da mulher e que geralmente aparecem tardiamente.

O aborto produz um luto incluso devido à negação da ocorrência de uma morte real, mas esse aspecto é totalmente desconsiderado.

As mulheres sofrem uma perda e suas necessidades emocionais são relegadas ou escondidas. Elas não conseguem vivenciar o seu luto e lidar com a culpa. Esse processo vai gerar profundas marcas e favorecer o surgimento da Síndrome pós-aborto (PAS).

O psiquiatra Tonino Cantelmi e a psicóloga clínica Cristina Carace, responsáveis pelo Centro para Tratamento da Síndrome Pós-Aborto com sede em Roma na Itália, publicaram uma matéria chamando a atenção para o aumento dos transtornos psicológicos como repercussões do aborto provocado. Eles afirmam que os efeitos psicológicos do aborto “são extremamente variados e não parecem estar determinados pela educação recebida ou pelo credo religioso”.

Esclarecem que «A reação psicológica ao aborto espontâneo e ao aborto involuntário é diferente»; está relacionada com as características de cada um desses dois sucessos: “o aborto espontâneo é um evento imprevisto e involuntário, enquanto o IVE (aborto provocado interrompendo o desenvolvimento do embrião ou do feto e extraindo-o do útero materno) contempla a responsabilidade consciente da mãe” e que “O vínculo mãe-feto

começa imediatamente depois da concepção, também nas mulheres que projetam abortar, enquanto os processos psicológicos substantivos a esta relação precoce são inconscientes e vão além do controle consciente da mãe.”xiv[14]

Aqueles que defendem o aborto afirmam que a admissão da culpa não é necessária e que se uma mulher se sente culpada é porque alguém “colocou a culpa nela”, mostrando uma profunda falta de entendimento dos aspectos psicológicos envolvidos e da real complexidade do ato abortivo, que aliado ao discurso em defesa do aborto, leva a uma negação ou uma projeção desses fatores. O fato é que as próprias mulheres que se submeteram ao aborto afirmam que a culpa não foi gerada de fora para dentro, infundida nelas por outras pessoas ou pela religião, ao contrário, ela surgiu e cresceu em seu mundo íntimo a partir do ato abortivo.

Os problemas emocionais gerados pelo aborto são tão graves, que em muitos países onde ele é legalizado, foram criadas, pelas próprias mulheres vitimadas pelo aborto, associações como a Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo Aborto) nos EUA, e a Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) na Espanha, que orientam e alertam sobre as conseqüências prejudiciais do aborto.

O aborto não é definitivamente uma “solução fácil” como afirmam muitos, mas um grave problema, um ato agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.

Nos estados Unidos muitas mulheres perceberam estes fatos, e formaram a Coalisão Nacional de Mulheres pela Vida (National Women’s Coalition for Life).

Gosto de trazer o exemplo dessas organizações femininas para refutar aqueles argumentos que dizem que para o homem é fácil ir contra o aborto. As mulheres, na verdade, são as principais vítimas e as que mais lutam contra o aborto.

Os casos relatados por essas mulheres são surpreendentes e servem de profundo alerta aos que defendem a legalização do aborto.

Um dos relatos encontrados é de Maria Esperanza Puente que abortou há mais dez anos o seu segundo filho numa clínica espanhola. Até hoje ela sofre da síndrome pós-aborto e afirma: “Sou porta-voz das vítimas do aborto porque sou vítima. Nunca ninguém me informou das conseqüências psicológicas que ia sofrer após abortar”.xv[15]

Puente diz que embora passado tanto tempo ainda não consegue esquecer o trauma sofrido: “As meninas mais jovens, lembro que choravam baixinho, sem fazer ruído. Ninguém comentava nada com ninguém e reinava o silêncio, quando no seu interior gritava muito forte: não quero! Mas são gritos de afogados, que não escuta nem quem está ao lado, só nós ouvimos”, relatando o que acontecia na clínica abortista. Puente entrou na sala de cirurgia para que lhe praticassem a intervenção que segundo ela foi “rápida e muito agressiva” e recorda: “o curioso é como antes do aborto não lhe deixam ver a tela da ecografia, se por acaso nos arrependemos quando já estamos na maca, dá no mesmo… Eu estava olhando para o teto dizendo pare! Mas sem gritar. Queria sair a correndo dali, mas não pude.” Maria Esperanza Puente lembra que o seu filho “foi colocado num recipiente de cristal e deixado ao lado, sendo visto, em seguida a enfermeira leva o pote. Nesse momento é como se lhe arrancassem com ele a vida”. Ao se referir à síndrome pós-aborto, Puente assegura que não consegue se perdoar e esquecer, revivendo o aborto em qualquer situação: “Algumas jovens vêem uma criança de quatro anos, que é a idade que deve ter o seu filho, e se põem a chorar”.

Nesse período só a Associação de Vítimas do Aborto lhe prestou ajuda. “Os médicos do Estado não oferecem ajuda, o Estado não informa, os meios de comunicação manipulam. Lançam a mensagem de que abortar é liberdade, é progresso, de que não faz mal”, afirmou Puente.

Como esses existem inúmeros relatos feitos por mulheres vitimadas pelo aborto. Para servir de base ao nosso estudo, vou descrever mais um caso que

foi divulgado pela Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) da Espanha. A mulher identificada como Lúcia L. ficou grávida aos 17 anos de idade e abortou quando estava com seis meses de gestação: “Não nos explicaram nada mais sobre o desenvolvimento fetal, o procedimento, a duração da operação, riscos físicos e psicológicos, só que era com anestesia geral e que era muito simples”, lembrou. O relato é estremecedor… “Não sei como meu filho morreu, se o mataram na sala de cirurgia, ou se nasceu vivo e o deixaram morrer depois, não sei”, relata. A mulher confessa que “dos 17 aos 23 anos esqueci tudo, acredito que era muito forte e minha mente bloqueou em um mecanismo de negação. Em minha casa não se voltou a falar disso, nem com meu namorado que agora é meu marido. Aos 23 anos comecei a passar mal, com ansiedade, depressão e transtornos da alimentação, mas nunca atribuí ao aborto, não reconhecia que alguém tivesse morrido naquele dia. Com essa idade eu pensava que se meu filho nascesse, este era um bebê, mas que se não nascesse, não era um ser vivo ainda e não podia acreditar que um médico fosse capaz de matar alguém ou de fazer algo que te prejudicasse. Eu pensava que se pudesse fazer, o aborto não podia ser errado. Lúcia relata que visitou psicólogos “dos 23 anos até os 28; nenhum soube me dizer o que acontecia com o pesar que eu sempre contava do aborto. De repente, um dia falando com meu namorado da possibilidade de nos casarmos e sermos pais, tudo estalou: compreendi que tinham matado meu filho e que meu filho tinha morrido”.xvi[16]

Os relatos de Maria Esperanza Puente e de Lúcia descrevem bem a síndrome pós-aborto. São mulheres que tentaram ignorar os efeitos do aborto e acabam provocando o surgimento tardiamente dos sintomas emocionais e de difícil solução.

Entretanto, nada disso é dito às mulheres que vão abortar, sobre os muitos efeitos prejudiciais psicológicos e físicos do aborto.

Muitos dos que defendem o aborto argumentam que o aborto deveria ser uma escolha para a mulher, quando na verdade, a grande maioria das mulheres que

abortam o faz por não ter escolha, por não receberem o apoio e o auxílio necessário para manter a gravidez. Muitas delas são levadas ao aborto por falta do apoio da família, pela pressão da sociedade ou imposição do seu companheiro.

Estudos de mulheres que fizeram aborto, (veja, por exemplo, o livro do Dr. David Reardon, Aborted Women, Silent No More)xvii[17], mostram que o aborto não é uma questão de dar a mulher uma “escolha”. É, tragicamente, uma situação em que as mulheres sentiram que não tinham NENHUMA ESCOLHA, sentiram que ninguém se importava com elas e com seu bebê, dando-lhes alternativa alguma a não ser o aborto. A mulher se sente rejeitada, confusa, com medo, sozinha, incapaz de lidar com a gravidez – e, no meio disto tudo, a sociedade lhe diz, “Nós eliminaremos o seu problema eliminando o seu bebê. Faça um aborto. É seguro, fácil, e uma solução legal”. E é exatamente nesses países em que o aborto foi legalizado onde existem os maiores índices de ocorrências graves de problemas físicos e Síndrome Pós-Aborto.

O valor de uma sociedade se mostra pela sua capacidade de amparar os mais fracos!

Espero que o CFM responda aos meus questionamentos ao mesmo tempo que revejam a sua posição que tem gerado tanta indignação entre nós os médicos pela forma como foi conduzido essa questão.

Gilson Luis Roberto -Médico
CRM/RS18.749

REFERÊNCIAS

[1] Willke & Willkke, Handbook on Abortion 1971,1975,1979 Editions, Ch 3, Cincinati: Hayes Publishing Co.
[2] Cf Report, Subcommittee on Separation of Powers to Senate Judiciary Committee S-158, 97th Congress, 1st Sessio 1981, p.7.
[3] Cfr. Landrum B. Shettles, MD, and David Rorvik, “Human Life Begins ai Conception”, em “Rites of Life”, Grand Rapids (MI), Zondervan, 1983, Cfr Pastuszek, “Is Fetus Human?” p.5.
[4] “The Post-Abortion Review”, Vol. 8, No. 3, Jul.-Set. 2000 Elliot Institute, PO Box 7348, Springfield, IL 62791-7348
[5]KOCH, A. e colaboradores. “Women’s Education Level, Maternal Health Facilities, Abortion Legislation and Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to 2007”. Revista Digital PLOS ONE. Artigo acessado em http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0036613
[6] WASHINGTON DC, (ACI). Estudo revela que aborto é principal causador do câncer de mama. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11487. Para ver o estudo, em inglês, acesse: http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf
[7] Brind, Joel. Early Reproductive Events and Breast Cancer: A Minority Report. Acessado em http://www.bcpinstitute.org/nci_minority_rpt.htm
[8] Kahlenborn, Chris. Breast Cancer: Its Link to Abortion and Birth Control Pill. OMS: Dayton, EUA, 2000
[9] WASHINGTON DC, (ACI). Estudo revela que aborto é principal causador do câncer de mama. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11487. Para ver o estudo, em inglês, acesse: http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf
[10] Moura, Emanuelle Carvalho. Aspectos Psicológicos decorrentes do aborto. http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicologicos_decorrentes_do_aborto_em_gravidez.pdf
[11] SPRINGFIELD, 25 Jan. 06 (ACI).- Mulheres que abortaram consomem álcool e drogas para superar trauma. http://www.defesadavida.com.br/noticias_100206.htm
[12] Moura, Emanuelle Carvalho. Aspectos Psicológicos decorrentes do aborto. http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicologicos_decorrentes_do_aborto_em_gravidez.pdf
[13] ANSA. Psiquiatras Afirmam que o Aborto Causa Risco à Saúde Mental da Mulher. http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/rubriche/entrevistas/20080316165334616131.html
[14] Encontrado em http://www.zenit.org/article-16303?l=portuguese
[15] Associação Portuguesa de Maternidade e Vida. ESPANHA: Mulher que abortou o seu segundo filho vira líder pró-vida. http://www.maternidadevida.org/noticias.php?id=328
[16] AVA (Asociación de Víctimas del Aborto). Lucía L., española: “Yo aborté con 26 semanas de embarazo en el centro de abortos El Bosque en Madrid” Disponível em: http://www.noticias.info/archivo/2006/200611/20061101/20061101_236581.shtm
[17] Reardon, D. Aborted Women: Silent No More, Chicago, Loyola University Press, 1987

Venho, por meio deste email, deixar a minha indignação e repúdio sobre o posicionamento do CFM quanto à questão de subjugar o valor do embrião à autonomia materna. Gostaria que o CFM fizesse publicar que nem todos os médicos têm a mesma opinião que a cúpula presidencial dessa Instituição; que, a meu ver, o assunto necessita debate bioético e que a Bioética é justamente o questionamento ético da conduta biológica e não a imposição de ideias e pontos de vistas reducionistas daqueles que detêm o poder de resolução.

Que fique registrado que sou a médica de nº 400.000 menos 1 dessa classe e que essa Entidade de classe não pode me representar do ponto de vista ético. Que essa Entidade se atenha à questões éticas mais importantes na atualidade, como a questão da humanização da classe, da luta por melhores condições de trabalho, por maior seriedade e responsabilidade médicas, etc.,e a até mesmo sobre as consequências da falta de debate sobre assuntos dilemáticos, como a questão da eutanásia, e as repercussões gravíssimas que a irresponsabilidade da divulgação distorcida do que é ético na medicina, avalizadas por um movimento bioético bizarro, podem ocasionar (vide o que tem acontecido nas UTIs de todo o país), ao invés de ficar resolvendo questões que conceitualmente, do ponto de vista filosófico, são e serão sempre dilemáticas.

Dra. Angélica Bogatzky Ribeiro CRM – SP: 80995
Mestre em Bioética pelo Centro Universitário são Camilo


Li com indignação a posição do CFM tomada em reunião em Belém – PA, favorável ao aborto do feto com menos de 12 semanas, para qualquer situação desde que a mulher assim o deseje. No site do CFM o presidente do CFM defende a posição informando que “o CFM não é favorável ao aborto, mas sim à autonomia da mulher”. Pergunto: qual a diferença? Esquece o CFM que o feto tem vida e é um ser humano resguardado por Lei? É papel do CFM defender a vida, principalmente daqueles que não tem como se defender de tentativas de morte.

Se o CFM defende a morte do feto, qual instituição médica irá defendê-lo? Tem O CFM respaldo da classe médica para tomar essa decisão? Foi realizada uma pesquisa com os médicos brasileiros sobre esse assunto? Por que defender uma minoria, as mulheres que pensam ter direito sobre a vida do feto? Qual a posição do povo brasileiro sobre o assunto? Eu, como ex-conselheiro e ex-vice- Presidente do CRM-ES deixo clara a minha posição de total repúdio a essa decisão, que fere os ditames da ética médica, pois uns dos pilares do ato médico é de lutar pela vida. O embrião, em qualquer fase de sua formação deve ter o seu direito à vida, preservado e cabe ao médico oferecer todas as condições para que isso ocorra. Infelizmente alguns poucos tomam decisões que denigrem a imagem do nosso egrégio Conselho, sem consultar a maioria.

José Roberto Pereira Santos CRM – ES 2393


Lamentável a decisão do CFM a favor da legalização do aborto. Viola princípios magnos de Defesa da Vida e desqualifica a Medicina brasileira. Defender o aborto como direito da mãe é desconhecer que o embrião tem autonomia desde a fecundação, que a vida pertence ao embrião e não à mãe. Qual o próximo passo? Defender a eutanásia e o suicídio assistido? Cria-se a carnificina brasileira com respaldo do CFM, onde vidas se sujeitam à vontade de terceiros. Lamentável. O pagamento da anuidade, que me era prazeroso, hoje sai dolorosamente de meu bolso por ser obrigado a contribuir para um Conselho que agora se submete não à defesa da vida, mas ao agravo e ao desrespeito a quem não pode se defender, o embrião.

Dr. Jorge Cecílio Daher Júnior
CRM – GO: 6108


 

Solicitação: Distintos conselheiros do CFM: manifesto meu repúdio à resolução do Conselho Federal de Medicina que, sem consultar a classe médica e sem base científica, decidiu apoiar os esforços de modficação do código penal, manifestando a aprovação do aborto até as 12 semanas de gestação, com o argumento de preservar a autonomia da mulher. Como sabemos, o feto não é um adendo do corpo feminino, mas um ser individual, digno e pleno de direitos desde a concepção, com material genético particular, que preside-lhe o desenvolvimento de forma independente. O feto apenas se nutre da mãe, desenvolvendo-se na interação com o corpo materno, que nele atua com sua fisiologia e psiquismo. Nada justifica o desrespeito à vida, bem indisponível ao homem, que não a cria, apenas a acolhe, devendo protegê-la e sustentá-la em sua dignidade fundamental, base da paz e da harmonia pessoal e social. Com esta resolução, o CFM NÃO ME REPRESENTA!
Justificativa: Espero, sinceramente, que o CFM tenha o bom senso de consultar a classe médica a respeito de tão magno tema e revisar os dados científicos a respeito do assunto, sem compromisso político com grupos feministas ou pró-aborto, mas com a autonomia necessária e compromisso com a ética médica e com a vida, como preceitua o estatuto desta instituição.

Dr. Andrei Moreira Machado e Souza
CRM: MG – 42292


Srs. Conselheiros,

Foi com espanto e indignação que tomei conhecimento através da mídia e da internet sobre a posição do CFM e de 27 conselheiros regionais a respeito da descriminalização do aborto. O disfarce de ” autonomia da mulher” não convence a classe médica em geral comprometida com a vida e não com assassinato de incapaz. Pergunto: Qual trabalho científico garante que não há vida antes de 12 semanas de gestação? Onde estão os direitos do feto? Podem os conselheiros tomar esse tipo de posição sem consultar os médicos?

Deixo aqui bem clara a minha posição contra essa atitude arbitrária do CFM e tenho certeza de que não estou sozinha nesta opinião.

Dra.Anelise Luderer Dias


 

Venho apresentar o meu repúdio ao posicionamento da Direção des te egrégio conselho, que resolveu assumir uma decisão de um tema tão grave, sem nenhuma consulta a classe médica, inclusive com colocações e defesas que não podem se quer ser comprovadas cientificamente, no momento, como a colocação de que o feto antes das 12 semanas não é individualidade e capaz de sentir as ações que lhe são direcionadas. O ovo é uma pessoa em potencialidade e isto precisa ser respeitado. Brigamos no mundo atual e criminalizamos a destruição de ovos, como os das tartarugas e queremos leis que dispensem ovos humanos, como se nada representassem. Acompanhei as informações do encontro onde teria acontecido a tal votação e nada vi que afirme sobre a mesma.
Sinto-me, hoje, envergonhado de estar sendo representado por um grupo que defende suas ideias e não busca a opinião dos profissionais que representam e deixam de lado o respeito maior da profissão, que é o da vida.

Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza
CRM: MG – 14987


 

Reitero minha indignação ao posicionamento do CFM de defender a legalização do aborto eugênico (“quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente”) e do aborto até as 12 semanas de gestação caso a mãe deseje. Uma tomada de posição como esta, que vai frontalmente contra a tradição médica brasileira de defesa da vida e de busca de oferecimento de cuidados a todos aqueles em sofrimento, só poderia ser considerada após um amplo debate com a comunidade médica do Brasil e se chegar a um consenso.

Assim, me causa estranheza: – Ao contrário do anunciado na nota, o tema não foi amplamente debatido entre os médicos. Em nenhum momento vi publicações ou fui notificado que o CFM cogitava apresentar um posicionamento neste sentido. – Fiz pesquisa com o tema aborto no site do CFM e não encontrei nenhum texto que indicasse que o CFM discutia um posicionamento formal sobre o tema. Inclusive, na notícia que anunciava o “I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina”, onde foi feita a votação, foi apenas informado que haveria uma a mesa redonda “Aborto e desigualdade social”.

http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23610:belem-sedia-debates-polemicos-no-i-encontro-nacional-dos-conselhos-de-medicina-2013&catid=3:portal

Na programação do evento acima, divulgada no site do CFM, igualmente, não consta que seria feita esta votação: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23523:i-encm-2013-para-sediara-debates-em-marco&catid=3:portal – a nota publicada pelo CFM é muito pouco informativa sobre o processo de tomada desta posição.

http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23661:conselhos-de-medicina-se-posicionam-a-favor-da-autonomia-da-mulher-em-caso-de-interrupcao-da-gestacao&catid=3

Quase não há informações no site do CFM sobre algo tão importante. Seria essencial informar como foi feito o debate, disponibilizar as atas e vídeos das reuniões, principalmente desta votação realizada em Belém. Essencial saber também como votou cada CRM. A única informação que obtive foi através do site Estadão, onde fiquei sabendo, para minha felicidade, que o CRM-MG votou contra: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,apoio-do-cfm-ao-aborto-ja-enfrenta-protestos-antes-de-chegar-ao-senado-,1011804,0.htm

A nota publicada pelo CFM apresenta graves contradições internas. Diz que aborto deve ser crime, mas defende sua legalidade. Usa uma série de eufemismos para mascarar a decisão que tomaram de modo arbitrário em nome de 400 mil, médicos. Dizem não haver “descriminalização do aborto”, mas criação de “causas excludentes de ilicitude”. Acho que subestimam a inteligência dos médicos. Como está, fica a impressão que foi uma manobra política de uma minoria desejando usurpar o prestígio do CFM e dos médicos para suas agendas pessoais ou de certos grupos.

Eu, como provavelmente a maior parte dos médicos do Brasil, sinto-me desrespeitado, não representado e violentado por esta tomada de posição do CFM.

Dr. Alexander Moreira Almeida
Professor universitário da Universidade Federal de Luiz de Fora (UFJF) – CRM- MG 44239


Não se trata de uma questão religiosa. Enquanto médicos, entendemos que nossa obrigação primeira é com a vida.

Dr. João Batista Gomes Soares
CRM MG 6236
Presidente do CRM Minas Gerais


Ao CFM e CRM
É com profunda surpresa, que vejo nossas entidades maiores (Conselho Federal de Medicina e Conselho Regional de Medicina) decidirem no I Encontro Nacional de Conselhos de Medicina 2013, realizado de 6 a 8 de março, em Belém (PA), serem favoráveis ao aborto até a 12ª. semana de gestação.
Uma decisão de tal magnitude jamais poderia ser tomada sem um amplo debate envolvendo toda a classe médica desse país. Infelizmente isto não aconteceu.
Tal parecer dá a entender que os médicos brasileiros são a favor desta barbaridade. Ledo engano. Tenho certeza que a grande maioria dos profissionais desse país, se consultados, algo que não aconteceu, se posicionaria absolutamente contrário a essa decisão.
Será que os senhores já assistiram a algum vídeo mostrando a criança no útero da mãe, na 12ª. semana de gestação? Com certeza, não. Aconselho a assistirem. Pode ser que o bom senso prevaleça e os senhores modifiquem o que decidiram.
Quando as autoridades supremas desse país decidiram pela legalidade da interrupção da gravidez na anencefalia, sabíamos que tal medida abriria um precedente perigoso para que o aborto se estendesse a outros segmentos. Achei que começaríamos a eliminar os fetos portadores de grandes mal-formações, depois pequenas mal-formações, até chegarmos aos fetos que não preencheriam as expectativas dos pais, como por exemplo, cor dos olhos, cabelos, etc…, em um modelo que muito lembraria o ideal ariano hitlerista.
Mas penso que os senhores se superaram.
Autorizar a mãe retirar do seu ventre um ser vivo normal, e o que é pior, seu filho, é autorizar um assassinato premeditado, com consequências psicológicas desastrosas para ela, como já foi comprovado por inúmeros artigos indexados realizados em todo o mundo.
Será que os senhores esqueceram que fizemos um juramento de lutar pela vida em todas as situações?
Com certeza, ao decidirem pelo aborto, sim.
A vida, estimados colegas, inicia-se quando o espermatozóide fecunda o óvulo, ainda na Trompa de Falópio, e não tem nada a ver com a formação do sistema nervoso.
Nesse momento, remeto os senhores à reflexão que tal medida será reconsiderada e não teremos que mobilizar toda a classe médica desse país, para reverter tal decisão, que se preciso, estamos dispostos a fazê-lo.
Após 36 anos de profissão, pela primeira vez em minha vida, me senti envergonhado de ser médico.
Tenho certeza, que se raciocinarem um pouco melhor também se sentirão assim.

Atenciosamente,

DR. Ricardo Azevedo Sallum
Cremesp 28662

 


Li indignada a posição do CFM tomada em reunião em Belém – PA, favorável ao aborto do feto com menos de 12 semanas, para qualquer situação desde que a mulher assim o deseje. No site do CFM o presidente do CFM defende a posição informando que “o CFM não é favorável ao aborto, mas sim à autonomia da mulher”. Pergunto: qual a diferença? O CFM esqueceu que o feto tem vida e é um ser humano resguardado por Lei? O papel do CFM é também defender a vida, principalmente daqueles que não tem como se defender de tentativas de morte. O CFM está respaldado pela classe médica para tomar essa decisão? Foi realizada uma pesquisa com os médicos brasileiros sobre esse assunto? Qual a posição do povo brasileiro sobre o assunto?. Gostaria de deixar clara a minha posição de total repúdio a essa decisão, que fere os ditames da ética médica, pois um dos pilares do ato médico é de lutar pela vida. O embrião, em qualquer fase de sua formação deve ter o seu direito à vida, preservado e cabe ao médico oferecer todas as condições para que isso ocorra.

Ana Catarina Tavares Loureiro
CRM ES 4470


MANIFESTO AME-GOIÂNIA CONTRA A DISCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO (Dra. Ana Paula Vecchi)

Nesta semana o noticiário comum divulgou que o Conselho Federal de Medicina (CFM) enviará ao Senado um parecer em que defende a liberação do aborto até a 12ª semana de gravidez. Segundo consta, o parecer foi aprovado pela maioria dos conselheiros federais e regionais de medicina, este órgão que representa 400 mil médicos brasileiros. Bem, mas eu pergunto: representa a opinião da maioria dos médicos brasileiros? Da maioria de nós que juramos “nunca causar dano ou mal a alguém”1 e não administrar “nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda”1? E literalmente juramos não dar “a nenhuma mulher uma substância abortiva”1? Certamente que não fomos consultados, apenas representados.

Os motivos alegados foram o alto índice de mortalidade e de internações de mulheres que fazem abortos clandestinos. De acordo com o conselho “o abortamento é uma importante causa de mortalidade materna no país, sendo evitável em 92% dos casos”2 e as complicações causadas pelo procedimento representam “a terceira causa de ocupação dos leitos obstétricos no Brasil”2.

Vejamos o que consta nos Princípios e Diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher 2013.

Segundo Laurenti (2002), em pesquisa realizada nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, analisando óbitos em mulheres de 10 a 49 anos (ou seja, mulheres em idade fértil), as dez primeiras causas de morte encontradas foram as seguintes, em ordem decrescente: acidente vascular cerebral, aids, homicídios, câncer de mama, acidente de transporte, neoplasia de órgãos digestivos, doença hipertensiva, doença isquêmica do coração, diabetes e câncer de colo do útero.

A mortalidade associada ao ciclo gravídico-puerperal e ao aborto não aparece entre as dez primeiras causas de óbito nessa faixa etária. No entanto, a gravidade do problema é evidenciada quando se chama atenção para o fato de que a gravidez é um evento relacionado à vivência da sexualidade, portanto não é doença, e que, em 92% dos casos, as mortes maternas são evitáveis. (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher : Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde. 2011. Pag 26).

Nas capitais brasileiras, para o ano de 2001, a Razões de Mortalidade Materna corrigida foi de 74,5 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. As principais causas da mortalidade materna são a hipertensão arterial, as hemorragias, a infecção puerperal e o aborto, todas evitáveis (BRASIL, 2003). ((Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher : Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde. 2011. Pag 27).

Deste dado já percebemos que o problema é muito mais amplo, pois nossas mulheres estão morrendo muito mais por uma assistência precária ao pré-natal e ao parto que às consequências das praticas abortivas clandestinas.

Segundo a última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) (BENFAM, 1996) aproximadamente 13% das mulheres que tiveram filhos nos cinco anos que antecederam a pesquisa não haviam realizado nenhuma consulta de pré-natal. E em 2002 essa razão era de 4,4 consultas de pré-natal para cada parto3 (Tabnet SIA-Datasus e TabwinAIH-Datasus, 2003).

Apesar do aumento do número de consultas de pré-natal, a qualidade dessa assistência é precária, o que pode ser atestado pela alta incidência de sífilis congênita, estimada em 12 casos/1.000 nascidos vivos, no SUS (PN-DST/AIDS, 2002), pelo fato da hipertensão arterial ser a causa mais freqüente de morte materna no Brasil, e também porque apenas 41,01% das gestantes inscritas no Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN) receberam a 2.a dose ou a dose de reforço ou a dose imunizante da vacina antitetânica, segundo o sistema de informação do Programa (BRASIL, 2002). (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher : Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde. 2011. Pag 28).

Se o pré-natal ainda é precário o atendimento a parturiente também encontra dificuldades.

Nesta mesma diretriz 3 encontramos que “o aborto realizado em condições inseguras figura entre as principais causas de morte materna”, entretanto mais adiante os autores afirmam que “O atendimento às mulheres em processo de abortamento, no SUS, apresenta uma tendência de estabilização na última década, consequência possível do aumento de mulheres usando métodos anticoncepcionais e da elevada prevalência de laqueadura tubária”.

Segundo dados do SUS 43% das mulheres interrompem o método contraceptivo após 12 meses do seu uso. É o próprio Ministério da Saúde que aponta a falta de cobertura e orientação quanto aos métodos contraceptivos.

Apesar de estar definido na NOAS-SUS 2001 que as ações do planejamento familiar fazem parte da atenção básica e que estão entre as responsabilidades mínimas da gestão municipal em relação à saúde da mulher, muitos municípios não têm conseguido implantar e implementar estratégias adequadas de fornecimento de anticoncepcionais para a população, de introdução do enfoque educativo e aconselhamento visando à escolha livre e informada, assim como garantir o acompanhamento das usuárias.

Identificam-se ainda problemas na produção, controle de qualidade, aquisição e logística de distribuição dos insumos, manutenção da continuidade da oferta de métodos anticoncepcionais e capacitação de gestores, de gerentes e de profissionais de saúde. Isso tem resultado numa atenção precária e excludente, ou até inexistente em algumas localidades, com maior prejuízo para as mulheres oriundas das camadas mais pobres e das áreas rurais. (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde. 2011. Pag 33).

Então nós vamos entendendo a dificuldade em que vive o SUS no atendimento à mulher na gestação, parto e prevenção da gravidez. Os médicos que trabalham com saúde da mulher conhecem bem essa realidade! Faltam leitos para os partos de alta complexidade. E eu fico a pensar: se o aborto for realmente legalizado será um problema de ordem pública! Onde conseguiremos leitos para essas mulheres, se as maternidades estão lotadas? A outra pergunta que faço é de onde o SUS conseguirá verba para sustentar tantos abortos? Sim porque a estimativa do governo em 2005 é de 1 milhão de abortos clandestinos por ano!

Não encontramos dados do Governo Federal quanto ao seu gasto com contraceptivos, apenas uma referência no Datafolha 2007, estimando-o em 350 reais por mulher. Compare ao gasto de 350 a 450 dólares4 gastos pelo governo americano com cada aborto, é bem mais que o dobro! É consenso que os gastos com prevenção são menores do que os de recuperação.

Então essas medidas não justificam uma economia e nem mesmo em solução para as falhas no planejamento familiar e nem para diminuição da mortalidade materna. Países com uma realidade semelhante a nossa a legalização do aborto não mostrou diminuição de sua prática clandestina. Segundo KUNII, na Índia, onde o aborto é legalizado desde 1971, estima-se que dos cerca de 7 milhões de abortos anuais, somente 10% sejam realizados legalmente. Apesar da legalização, o aborto ainda é responsável por 12% das mortes maternas.

Vejamos agora uma “justificativa” utilizada por muitos: a legalização do aborto acabaria por diminuir sua prática. Parece que também não é um argumento sustentável. Analisemos as economias em que a pratica do aborto é legalizada. Nos Estados Unidos, quando o aborto foi legalizado, em 1970, praticaram-se 200.000 abortos no país6. Em 1971 este número dobrou para 400.000 e hoje cerca de 1,2 milhões de mulheres por ano abortam nos EUA. Quatro décadas depois da histórica e polêmica decisão da Suprema Corte que descriminalizou o aborto nos EUA, alguns estados aprovaram, desde 2010, cerca de 130 leis para restringir o acesso das mulheres a esse procedimento. 7 Mais da metade da população desse país, hoje, não aprovam o aborto indiscriminadamente. (Datafolha 2013).

Na França a situação não é diferente. Em 21 de dezembro de 1974, a lei “Veil” sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG – Interruption Volontaire de la Grossesse) foi adotada pelo Parlamento Francês. Seu intuito primordial era de diminuir o número de abortos, sobretudo os clandestinos, que colocavam em risco a vida de mulheres (mais de 200.000 por ano). Entretanto, trinta anos mais tarde, o número continua o mesmo: um aborto para cada três nascimentos. Na Europa, os países em que o número de abortos diminuiu foram aqueles em que a esterilização foi promovida.

Há um outro ponto, ainda, a discutir: as razões políticas internacionais que visam um controle da natalidade em países subdesenvolvidos.

Em torno de 1960, os países ricos, especialmente os Estados Unidos, que já tinham os países pobres sob sua dependência, passaram a pressionar governos do Terceiro Mundo para adotar uma política de população, inspirados nas idéias de Malthus9. Consideravam haver nos países ricos uma estabilidade no crescimento populacional e nos pobres uma explosão populacional, atribuindo a ela a responsabilidade pela fome, pela pobreza, pela degradação do meio ambiente e, sendo assim, a redução do crescimento populacional deveria ser a principal prioridade para os planos de desenvolvimento (SOF, 1994). Uma vez dependente do capital internacional, o Brasil se rendeu às entidades americanas consideradas de planejamento familiar, apesar da resistência de militares, da Igreja e do próprio governo, que justificavam a importância de uma grande população, tanto do ponto de vista estratégico como econômico10. Em 1965, no contexto de uma grave crise econômica e política, foi criada a BEMFAM (Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar no Brasil). Financiada por entidades internacionais e de interesses nitidamente controlistas facilitou o acesso das mulheres aos métodos contraceptivos, principalmente à pílula, através da distribuição gratuita, sem garantia de acompanhamento médico (RODRIGUES, 1990).Ela deslanchou em 1974, quando, a partir de um memorando secreto do secretário de Estado Henry Kissinger, o governo americano passou a despejar dólares e pressão diplomática em campanhas de esterilização no Brasil. Homologado quase integralmente pelo presidente Gerald Ford, em 1975, o Relatório Kissinger defende o aborto como método anticoncepcional e aponta o trabalho das mulheres fora de casa como um incentivo a “ter menos filhos”. Elege os países nos quais os EUA “têm interesses políticos e estratégicos”, o Brasil entre eles.

Entendemos, então que a prática abortiva não soluciona o problema da saúde da mulher e ainda levanta o problema da natalidade e da influência dominadora, muitas vezes sutil, da cultura estrangeira.

Voltando à proposta dos Conselheiros do CFM, esses nossos representantes propõem a descriminalização do aborto em três novas situações:

1. gravidez por emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;

2. anencefalia ou feto com graves e incuráveis anomalias, atestado por dois médicos;

3. por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas para a maternidade.

Consideramos a primeira situação um tanto quanto esdrúxula: uma mulher ao ser fertilizada artificialmente sem o seu consentimento cabe processo penal ao médico ou quem quer que tenha praticado! É caso de polícia! Será mesmo que essa situação é frequente? De fato não existem estatísticas para tal.

A segunda situação é grave porque não bastasse a liberação do aborto do anencéfalo no ano passado, agora estamos propondo o aborto de um feto por ele “não ser normal” ou por ser um “doente incurável”! Será mesmo que um recém nascido sadio é sinônimo de vida sem doença? Dentro desta filosofia deveríamos eliminar todo adulto com doença incurável, eu diria que sobrariam poucos ou nenhum, pois quem está livre da hipertensão, do diabetes, das doenças autoimunes, das neoplasias, das infecções crônicas?

Se o feto tem um defeito genético ou não, não justifica sua eliminação! Porque terá pouco tempo de vida, também não. Ora se um recém- nascido saudável adquirir uma infecção hospitalar grave, também poderá morrer em poucas horas. Uma mãe com uma gravidez de um feto normal poderá entrar em trabalho de parto prematuro e o feto falecer por imaturidade pulmonar (doença das membranas hialinas) em poucos dias. Um feto saudável não é garantia de sobrevida longa! Quem pode decidir quem vive, quem morre? Só quem nunca trabalhou com familiares de crianças com problemas congênitos pode dizer que é melhor para os pais o aborto, “evita sofrimento!”. Esses profissionais não sabem como os pais vibram e comemoram cada conquista de seus pequenos, mesmo que essas sejam apenas um bocejar. Estar com essas crianças mesmo que por poucas horas após o nascimento permite a eles encerrar um ciclo, vivenciar um luto! Em suas consciências fizeram tudo o que podiam, “aproveitaram o máximo a vida de seu filho”! Já o aborto seria uma interrupção deste processo. Uma lacuna muitas vezes preenchida com o vazio. Nós profissionais da saúde deveríamos nos lembrar de todos esses aspectos emocionais, espirituais e religiosos dessas famílias antes de nos atermos somente no fatalismo técnico. Antes de indicar o aborto de um anencéfalo lembrar que a vida em geração é muito mais do que simples órgãos! Eliminar um anencéfalo ou um feto com anomalias graves é relembrar os absurdos realizados pelo nazismo!

A terceira situação representa a legalização indiscriminada do aborto, pois não existe a necessidade de um atestado de condições psicológicas para a gestante. Ou seja, é a aprovação simples e clara do aborto. E me desculpem, conselheiros, não representa a vontade pura e exclusiva da mulher, posto todas argumentações já colocadas anteriormente. Uma mulher de baixa escolaridade, com pouco apoio no seu pre-natal, com orientação precária dos métodos contraceptivos, com jornadas de trabalhos extra (pois ainda é a responsável pelo serviço doméstico), com seu emprego ameaçado pela maternidade, num pais em que a família muitas vezes é sustentada por ela, sem a garantia de apoio do pai de sua criança… essa mulher é induzida a decidir!

A valorização da mulher e dos seus direitos não deverá ser exercida assim: eliminando o problema, como a eliminar a mama para se evitar o câncer, mas buscando soluções verdadeiras e profundas. É preciso melhorar antes a prevenção para que a saúde da mulher e de seus filhos sejam preservadas!

BIBLIOGRAFIA:

1. Juramento de Hipócrates. Disponível em: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Historia&esc=3

2. Cíntia Acayaba. Conselho de Medicina defende liberação do aborto até 12ª semana. 21/03/2013. Disponível em: http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/03/medicos-defendem-liberacao-do-aborto-ate-12-semana-de-gestacao.html

3. Brasil . Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher : Princípios e Diretrizes / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 1. ed., 2. reimpr. Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2011.

4. Hugo Hideo Kunii. Por que não legalizar o aborto? Disponível em: http://www.pr.gonet.biz/index-read.php?num=827

5. João Carlos Navarro de Almeida Prado. Educação fundamental, Direito à Maternidade, Paternidade Responsável e o Direito Social ao Planejamento familiar. Disponível em :http://www.pge.ac.gov.br/site/arquivos/bibliotecavirtual/teses/IBAPtesesPDF/Educacaofundamentaldireitoamaternidade.pdf

6. Felipe Aquino. Número de abortos aumenta com a legalização. Disponível em: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=9452

7. Estados limitam aborto nos EUA 40 anos após liberação. Folha. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1218398-estados-limitam-aborto-nos-eua-40-anos-apos-liberacao.shtml. 22/01/2013-05h00

8. Celuy Roberta Hundzinski Damásio. Aborto: trinta anos de legalização. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/044/44damasio.htm).

9. COELHO, E. A. C. et al. O planejamento familiar no Brasil contexto das políticas de saúde: determinantes históricos. Rev.Esc.Enf.USP, v. 34, n. 1, p. 37-44, mar. 2000.

10. (Nilson Lage e Carlos Chernij . filhos da pobreza. Disponível em: http://www.istoe.com.br/reportagens/21681_FILHOS+DA+POBREZA)


Recebi a notícia através da mídia quanto a circular 46/2012 onde informa que “Por maioria, os Conselhos de Medicina concordaram que a Reforma do Código Penal, que ainda aguarda votação, deve afastar a ilicitude da interrupção da gestação em uma das seguintes situações: a) quando “houver risco à vida ou à saúde da gestante”; b) se “a gravidez resultar de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida”; c) se for “comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos”; e d) se “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação”.” No primeiro momento acreditei que fosse uma notícia falsa, dessas tantas circurlam na internet, dado ao absurdo da proposta. Depois acabei perplexo, como muitos colegas, ao ser confirmada a veracidade da notícia. Gostaria de trazer alguns questionamentos ao CFM e que elas fossem respondidas. Primeiramente me senti desrespeitado pelo CFM ao tomar essa medida de apoio a Reforma do Código Penal Brasileiro (PLS 236/2012) sem um debate a nível nacional envolvendo todos médicos. Principalmente frente a um assunto de tanta magnitude e complexidade. Segundo, os dados que embasam a decisão não informa as referências científicas e desconsideram os dados técnicos mais atuais, em especial os estudos realizados que demonstram que a legalização do aborto não diminuiu a mortalidade materna. Além disso a posição tomada pelo CFM atenta contra um dos mais importante papel do médico que é de defender a vida, principalmente a mais frágil, aquela que não pode se defender sozinha.

É lamentável que o CFM entre nessa tentativa se criar um fato político que favoreça a descriminalização do aborto no Brasil. Além das pesquisas demonstrarem que a maioria esmagadora da população brasileira é contra o aborto, as justificativas e argumentos em sua defesa não encontram respaldos científicos, sendo em sua maioria superficiais, utilitaristas e baseados em interesses econômicos.

As estratégias que buscam confundir a população e evitar o debate dentro dos critérios científicos são inúmeras. Uma delas foi a criação do termo “pré-embrião” em 1986 por Anne McLaren, para designar os embriões que ainda não haviam sido implantados no útero e assim tentar justificar métodos abortivos de interrupção da gravidez. Entretanto,o fato é que para a ciência médica a vida inicia com a fecundação, não existindo dúvidas quanto a isso.Em todos os livros de embriologia médica encontramos que a vida começa com a fecundação não havendo distinção em qualquer de sua fase:

“A maioria do nosso grupo não conseguiu encontrar, entre a fecundação e o nascimento, um ponto no qual fosse possível dizer: aqui não está uma vida humana”.i[1]

“Médicos, biólogos e outros cientistas concordam que a concepção marca o início da vida do ser humano – um ser que está vivo e é membro da nossa espécie. Sobre este ponto existe uma concordância esmagadora num sem-fim de artigos científicos na área de medicina e da biologia.” (97th Congress, 1st Session)ii[2]

A fase de zigoto, o embrião, feto, passando pelo nascimento até chegarmos à fase adulta fazem parte da nossa evolução ontogenética. Embora essas fases de desenvolvimento sejam divididas é sempre o mesmo indivíduo igualmente identificável biologicamente ao longo de toda a sua existência, sendo um ser único e distinto:“O tipo genético – as características herdadas de um ser humano individualizado – é estabelecido no processo da concepção e permanecerá em vigor por toda a vida daquele indivíduo” (Shettles e Rorvik)iii[3]. Portanto, em qualquer fase em que ocorrer a interrupção do processo embriológico a partir da fecundação será sempre um aborto.

Outro argumento utilizado é que o aborto é uma questão de saúde pública já que sua legalização evitaria inúmeras mortes maternas supostamente causadas pelo aborto ilegal, ao mesmo tempo em que daria a mulher o direito de escolha. A tese que o aborto clandestino é uma das grandes causas da mortalidade materna não tem respaldo científico e nem das próprias estatísticas do Ministério da Saúde, ao contrário, o aborto legalizado é que é uma das maiores causas de mortalidade materna. Embora a maior parte das mortes relacionadas com o aborto legal não sejam classificadas oficialmente como tal, ele é constatado como a quinta causa de morte materna no E.U.A. Um estudo finlandês de 1997 bem documentado, financiado pelo Governo, mostrou que as mulheres que abortam têm quatro vezes maior probabilidade de morrer no espaço de um ano do que as mulheres que dão à luz.iv[4]

Recentemente a revista científica PLOS ONE publicou um artigo intitulado “Women’s Education Level, Maternal Health Facilities, Abortion Legislation and Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to 2007”,

demonstrando que a legalização do aborto não diminuiu a mortalidade materna, contrariando o argumento invocado em favor da legalização do aborto. O estudo evidenciou que a causa da mortalidade está vinculado ao nível educacional das mulheres e dificuldades de atendimento médico. v[5]

O Journal of American Physicians and Surgeons (Revista de Médicos e Cirurgiões dos Estados Unidos) publicou um estudo realizado por Patrick Carrol intitulado “A Epidemia do Câncer de Mama” onde se demonstra que o aborto “é o principal causador do câncer de mama”.vi[6] O estudo também demonstra que o aborto antes do nascimento do primeiro filho é altamente cancerígeno.

O Dr. Joel Brind, diretor do Instituto de Prevenção do Câncer de Mama em Nova Iorque, um dos maiores especialistas na relação entre o aborto e o câncer de mama, realizou uma meta-análise de 23 estudos publicados sobre o assunto, 18 dos quais documentam uma relação entre o aborto e o câncer de mama.vii[7]

De acordo com o livro Breast Cancer (Câncer de mama), do Dr. Chris Kahlenborn, a mulher que realiza um aborto tem 2 vezes mais probabilidade de sofrer o câncer de mama.viii[8]

Karen Malec, Presidente da Coalition Abortion/Breast Cancer (Coalizão do Câncer Aborto/Mama) comentou o estudo e indicou que “já é tempo dos cientistas admitirem publicamente o que privadamente já sabem entre eles: que o aborto incrementa os riscos de contrair câncer de mama. Também é tempo para que detenham as investigações tergiversadas para proteger os estabelecimentos médicos de julgamentos maciços contra as práticas médicas”.ix[9]

Estatísticas disponíveis sugerem que cerca de 10 mulheres morrem todos os anos de gravidez ectópica relacionada ao aborto.

Portanto, o aborto, além de ser uma grande violência contra a vida da criança, é também contra a mulher. Ele é responsável por inúmeros traumas às mulheres que o praticam. Infelizmente a esmagadora maioria desconhece os

efeitos prejudiciais psicológicos e físicos do aborto, havendo poucas informações sobre o assunto e um nítido interesse em escondê-los.

Um estudo realizado nos Estados Unidos (EUA) pela Dra. Priscilla Coleman, professora de Desenvolvimento Humano e Estudos Familiares da “Bowling Green State University”, com 1.000 adolescentes com gravidez inesperada constatou que as adolescentes que procederam ao aborto manifestaram cinco vezes mais necessidade de ajuda psicológica do que as que tiveram seus filhos.x[10] Outro estudo similar publicada em Londres no “Journal of Child Psychiatry and Psychology realizado pelo psicólogo e epidemiologista David Fergusson com 1.265 mulheres, das quais 500 engravidaram pelo menos uma vez aos 25 anos, 90 delas interromperam a gravidez através do aborto. Destas, 42% sofreram depressão, tendências suicidas, abuso de drogas e álcool, demonstrando que é o aborto e não a gravidez que causam problemas mentais.xi[11]

Em outro estudo, Coleman observou uma relação entre abuso e maus tratos infantis 2,4 vezes maiores por mães que se submeteram a um aborto induzido na sua vida pregressa. As Mulheres que abortam consomem álcool e drogas para superar trauma apresentando cinco vezes mais probabilidades de consumir drogas e álcool do que uma mulher que não abortou. Logo, ao contrário do que dizem os apologistas do aborto que é melhor para a mulher dar cabo de filhos “não desejados” ainda intra-útero, do que tê-los, o aborto acarreta em maior risco de violência para com outros filhos “desejados” que essa mulher possa vir a ter alongo de sua vida. As evidências demonstram que o sofrimento para manter a gravidez ”não desejada” é muito menor ao trauma psíquico que o aborto provoca. As incompreensões e críticas da sociedade passam, assemelham-se a um barulho produzido por uma notícia que se espalha e perde-se, mas um aborto fica gravado na história e na psique da mulher para sempre. xii[12]

A situação é tão grave devido às conseqüências danosas provocadas pelo aborto à saúde mental nos países onde ele foi legalizado que o Royal College

of Psychiatrists, a associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses, após afirmar que as mulheres que abortam arriscam a ter graves problemas de saúde mental, como a depressão profunda, alertaram que a mulher deve ser comunicada para os riscos caso opte pela interrupção da gravidez. xiii[13]

Com esses dados caem por baixo os argumentos utilizados para justificar qualquer razão psicológica para a interrupção da gravidez, assim como também não existem justificativas médicas para a interrupção da gravidez normal.

O aborto provocado é um procedimento traumático com repercussões gravíssimas para a saúde mental da mulher e que geralmente aparecem tardiamente.

O aborto produz um luto incluso devido à negação da ocorrência de uma morte real, mas esse aspecto é totalmente desconsiderado.

As mulheres sofrem uma perda e suas necessidades emocionais são relegadas ou escondidas. Elas não conseguem vivenciar o seu luto e lidar com a culpa. Esse processo vai gerar profundas marcas e favorecer o surgimento da Síndrome pós-aborto (PAS).

O psiquiatra Tonino Cantelmi e a psicóloga clínica Cristina Carace, responsáveis pelo Centro para Tratamento da Síndrome Pós-Aborto com sede em Roma na Itália, publicaram uma matéria chamando a atenção para o aumento dos transtornos psicológicos como repercussões do aborto provocado. Eles afirmam que os efeitos psicológicos do aborto “são extremamente variados e não parecem estar determinados pela educação recebida ou pelo credo religioso”.

Esclarecem que «A reação psicológica ao aborto espontâneo e ao aborto involuntário é diferente»; está relacionada com as características de cada um desses dois sucessos: “o aborto espontâneo é um evento imprevisto e involuntário, enquanto o IVE (aborto provocado interrompendo o desenvolvimento do embrião ou do feto e extraindo-o do útero materno) contempla a responsabilidade consciente da mãe” e que “O vínculo mãe-feto

começa imediatamente depois da concepção, também nas mulheres que projetam abortar, enquanto os processos psicológicos substantivos a esta relação precoce são inconscientes e vão além do controle consciente da mãe.”xiv[14]

Aqueles que defendem o aborto afirmam que a admissão da culpa não é necessária e que se uma mulher se sente culpada é porque alguém “colocou a culpa nela”, mostrando uma profunda falta de entendimento dos aspectos psicológicos envolvidos e da real complexidade do ato abortivo, que aliado ao discurso em defesa do aborto, leva a uma negação ou uma projeção desses fatores. O fato é que as próprias mulheres que se submeteram ao aborto afirmam que a culpa não foi gerada de fora para dentro, infundida nelas por outras pessoas ou pela religião, ao contrário, ela surgiu e cresceu em seu mundo íntimo a partir do ato abortivo.

Os problemas emocionais gerados pelo aborto são tão graves, que em muitos países onde ele é legalizado, foram criadas, pelas próprias mulheres vitimadas pelo aborto, associações como a Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo Aborto) nos EUA, e a Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) na Espanha, que orientam e alertam sobre as conseqüências prejudiciais do aborto.

O aborto não é definitivamente uma “solução fácil” como afirmam muitos, mas um grave problema, um ato agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.

Nos estados Unidos muitas mulheres perceberam estes fatos, e formaram a Coalisão Nacional de Mulheres pela Vida (National Women’s Coalition for Life).

Gosto de trazer o exemplo dessas organizações femininas para refutar aqueles argumentos que dizem que para o homem é fácil ir contra o aborto. As mulheres, na verdade, são as principais vítimas e as que mais lutam contra o aborto.

Os casos relatados por essas mulheres são surpreendentes e servem de profundo alerta aos que defendem a legalização do aborto.

Um dos relatos encontrados é de Maria Esperanza Puente que abortou há mais dez anos o seu segundo filho numa clínica espanhola. Até hoje ela sofre da síndrome pós-aborto e afirma: “Sou porta-voz das vítimas do aborto porque sou vítima. Nunca ninguém me informou das conseqüências psicológicas que ia sofrer após abortar”.xv[15]

Puente diz que embora passado tanto tempo ainda não consegue esquecer o trauma sofrido: “As meninas mais jovens, lembro que choravam baixinho, sem fazer ruído. Ninguém comentava nada com ninguém e reinava o silêncio, quando no seu interior gritava muito forte: não quero! Mas são gritos de afogados, que não escuta nem quem está ao lado, só nós ouvimos”, relatando o que acontecia na clínica abortista. Puente entrou na sala de cirurgia para que lhe praticassem a intervenção que segundo ela foi “rápida e muito agressiva” e recorda: “o curioso é como antes do aborto não lhe deixam ver a tela da ecografia, se por acaso nos arrependemos quando já estamos na maca, dá no mesmo… Eu estava olhando para o teto dizendo pare! Mas sem gritar. Queria sair a correndo dali, mas não pude.” Maria Esperanza Puente lembra que o seu filho “foi colocado num recipiente de cristal e deixado ao lado, sendo visto, em seguida a enfermeira leva o pote. Nesse momento é como se lhe arrancassem com ele a vida”. Ao se referir à síndrome pós-aborto, Puente assegura que não consegue se perdoar e esquecer, revivendo o aborto em qualquer situação: “Algumas jovens vêem uma criança de quatro anos, que é a idade que deve ter o seu filho, e se põem a chorar”.

Nesse período só a Associação de Vítimas do Aborto lhe prestou ajuda. “Os médicos do Estado não oferecem ajuda, o Estado não informa, os meios de comunicação manipulam. Lançam a mensagem de que abortar é liberdade, é progresso, de que não faz mal”, afirmou Puente.

Como esses existem inúmeros relatos feitos por mulheres vitimadas pelo aborto. Para servir de base ao nosso estudo, vou descrever mais um caso que

foi divulgado pela Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) da Espanha. A mulher identificada como Lúcia L. ficou grávida aos 17 anos de idade e abortou quando estava com seis meses de gestação: “Não nos explicaram nada mais sobre o desenvolvimento fetal, o procedimento, a duração da operação, riscos físicos e psicológicos, só que era com anestesia geral e que era muito simples”, lembrou. O relato é estremecedor… “Não sei como meu filho morreu, se o mataram na sala de cirurgia, ou se nasceu vivo e o deixaram morrer depois, não sei”, relata. A mulher confessa que “dos 17 aos 23 anos esqueci tudo, acredito que era muito forte e minha mente bloqueou em um mecanismo de negação. Em minha casa não se voltou a falar disso, nem com meu namorado que agora é meu marido. Aos 23 anos comecei a passar mal, com ansiedade, depressão e transtornos da alimentação, mas nunca atribuí ao aborto, não reconhecia que alguém tivesse morrido naquele dia. Com essa idade eu pensava que se meu filho nascesse, este era um bebê, mas que se não nascesse, não era um ser vivo ainda e não podia acreditar que um médico fosse capaz de matar alguém ou de fazer algo que te prejudicasse. Eu pensava que se pudesse fazer, o aborto não podia ser errado. Lúcia relata que visitou psicólogos “dos 23 anos até os 28; nenhum soube me dizer o que acontecia com o pesar que eu sempre contava do aborto. De repente, um dia falando com meu namorado da possibilidade de nos casarmos e sermos pais, tudo estalou: compreendi que tinham matado meu filho e que meu filho tinha morrido”.xvi[16]

Os relatos de Maria Esperanza Puente e de Lúcia descrevem bem a síndrome pós-aborto. São mulheres que tentaram ignorar os efeitos do aborto e acabam provocando o surgimento tardiamente dos sintomas emocionais e de difícil solução.

Entretanto, nada disso é dito às mulheres que vão abortar, sobre os muitos efeitos prejudiciais psicológicos e físicos do aborto.

Muitos dos que defendem o aborto argumentam que o aborto deveria ser uma escolha para a mulher, quando na verdade, a grande maioria das mulheres que

abortam o faz por não ter escolha, por não receberem o apoio e o auxílio necessário para manter a gravidez. Muitas delas são levadas ao aborto por falta do apoio da família, pela pressão da sociedade ou imposição do seu companheiro.

Estudos de mulheres que fizeram aborto, (veja, por exemplo, o livro do Dr. David Reardon, Aborted Women, Silent No More)xvii[17], mostram que o aborto não é uma questão de dar a mulher uma “escolha”. É, tragicamente, uma situação em que as mulheres sentiram que não tinham NENHUMA ESCOLHA, sentiram que ninguém se importava com elas e com seu bebê, dando-lhes alternativa alguma a não ser o aborto. A mulher se sente rejeitada, confusa, com medo, sozinha, incapaz de lidar com a gravidez – e, no meio disto tudo, a sociedade lhe diz, “Nós eliminaremos o seu problema eliminando o seu bebê. Faça um aborto. É seguro, fácil, e uma solução legal”. E é exatamente nesses países em que o aborto foi legalizado onde existem os maiores índices de ocorrências graves de problemas físicos e Síndrome Pós-Aborto.

O valor de uma sociedade se mostra pela sua capacidade de amparar os mais fracos!

Espero que o CFM responda aos meus questionamentos ao mesmo tempo que revejam a sua posição que tem gerado tanta indignação entre nós os médicos pela forma como foi conduzido essa questão.

Gilson Luis Roberto -Médico
CRM/RS18.749

REFERÊNCIAS

[1] Willke & Willkke, Handbook on Abortion 1971,1975,1979 Editions, Ch 3, Cincinati: Hayes Publishing Co.
[2] Cf Report, Subcommittee on Separation of Powers to Senate Judiciary Committee S-158, 97th Congress, 1st Sessio 1981, p.7.
[3] Cfr. Landrum B. Shettles, MD, and David Rorvik, “Human Life Begins ai Conception”, em “Rites of Life”, Grand Rapids (MI), Zondervan, 1983, Cfr Pastuszek, “Is Fetus Human?” p.5.
[4] “The Post-Abortion Review”, Vol. 8, No. 3, Jul.-Set. 2000 Elliot Institute, PO Box 7348, Springfield, IL 62791-7348
[5]KOCH, A. e colaboradores. “Women’s Education Level, Maternal Health Facilities, Abortion Legislation and Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to 2007”. Revista Digital PLOS ONE. Artigo acessado em http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0036613
[6] WASHINGTON DC, (ACI). Estudo revela que aborto é principal causador do câncer de mama. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11487. Para ver o estudo, em inglês, acesse: http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf
[7] Brind, Joel. Early Reproductive Events and Breast Cancer: A Minority Report. Acessado em http://www.bcpinstitute.org/nci_minority_rpt.htm
[8] Kahlenborn, Chris. Breast Cancer: Its Link to Abortion and Birth Control Pill. OMS: Dayton, EUA, 2000
[9] WASHINGTON DC, (ACI). Estudo revela que aborto é principal causador do câncer de mama. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11487. Para ver o estudo, em inglês, acesse: http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf
[10] Moura, Emanuelle Carvalho. Aspectos Psicológicos decorrentes do aborto. http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicologicos_decorrentes_do_aborto_em_gravidez.pdf
[11] SPRINGFIELD, 25 Jan. 06 (ACI).- Mulheres que abortaram consomem álcool e drogas para superar trauma. http://www.defesadavida.com.br/noticias_100206.htm
[12] Moura, Emanuelle Carvalho. Aspectos Psicológicos decorrentes do aborto. http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicologicos_decorrentes_do_aborto_em_gravidez.pdf
[13] ANSA. Psiquiatras Afirmam que o Aborto Causa Risco à Saúde Mental da Mulher. http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/rubriche/entrevistas/20080316165334616131.html
[14] Encontrado em http://www.zenit.org/article-16303?l=portuguese
[15] Associação Portuguesa de Maternidade e Vida. ESPANHA: Mulher que abortou o seu segundo filho vira líder pró-vida. http://www.maternidadevida.org/noticias.php?id=328
[16] AVA (Asociación de Víctimas del Aborto). Lucía L., española: “Yo aborté con 26 semanas de embarazo en el centro de abortos El Bosque en Madrid” Disponível em: http://www.noticias.info/archivo/2006/200611/20061101/20061101_236581.shtm
[17] Reardon, D. Aborted Women: Silent No More, Chicago, Loyola University Press, 1987

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